O que é a febre e porque acontece
A febre não é uma doença. É uma resposta normal do corpo a uma infeção ou a outro estímulo inflamatório. Em muitas crianças, aparece com constipações, gripe, amigdalites, infeções urinárias, gastroenterites ou após algumas vacinas. A temperatura sobe porque o organismo está a tentar combater o que o está a afetar.
É importante lembrar que a febre, por si só, não diz o quão grave é a situação. Uma criança com 39 °C pode estar relativamente bem, enquanto outra com temperatura mais baixa pode estar prostrada e precisar de avaliação.
Como medir a temperatura de forma fiável
O ideal é usar um termómetro digital. Em bebés e crianças pequenas, a medição retal é a mais fiável, mas muitos pais preferem medir na axila ou usar termómetros auriculares, seguindo sempre as instruções do aparelho. O mais importante é usar sempre o mesmo método para comparar valores.
Se a criança estiver tapada em excesso, tiver acabado de correr ou estiver muito agitada, espere alguns minutos antes de medir. Evite decidir apenas pelo toque na testa, porque isso pode enganar.
Quando pode vigiar em casa
Na maioria dos casos, a febre pode ser vigiada em casa se a criança:
- está acordada e reage normalmente
- bebe líquidos
- respira sem dificuldade
- não tem dor intensa
- tem urina habitual
- não parece muito prostrada
Se a criança estiver mais cansada, com menos apetite e quiser descansar, isso pode acontecer numa infeção viral simples. O mais importante é observar o estado geral, não apenas o número no termómetro.
Em casa, procure sobretudo conforto e vigilância. Não é necessário baixar a febre a todo o custo se a criança está bem. O objetivo é ajudar no bem-estar.
O que fazer em casa
Algumas medidas simples podem ajudar:
- ofereça líquidos com frequência, em pequenas quantidades
- vista a criança com roupa leve
- mantenha o quarto arejado, sem frio excessivo
- deixe a criança descansar
- não force comida se não tiver apetite, mas continue a oferecer líquidos e alimentos leves
Se a criança aceitar, podem ser úteis sopas, fruta, iogurte, torradas ou outros alimentos fáceis de digerir. Em bebés, o leite materno ou o leite habitual devem ser mantidos com frequência.
Banhos frios, álcool na pele ou cobertores em excesso não são recomendados. Podem causar desconforto e não resolvem a causa da febre.
Medicamentos para febre
Os antipiréticos, como o paracetamol ou o ibuprofeno, podem ser usados para aliviar desconforto, dor ou mal-estar, mas devem ser administrados de acordo com o peso e a idade da criança, seguindo orientação médica ou as instruções da embalagem. Nunca dê medicamentos sem confirmar a dose correta.
Não deve alternar medicamentos por rotina sem aconselhamento profissional. E nunca dê ácido acetilsalicílico a crianças, salvo indicação médica explícita.
Se a criança tem vómitos, desidratação, doença crónica, alergias ou toma medicação regular, vale a pena confirmar com um profissional de saúde qual a melhor opção.
Sinais de alerta: quando pedir ajuda médica
Procure avaliação médica urgente se a febre vier acompanhada de qualquer um destes sinais:
- dificuldade em respirar
- sonolência excessiva, confusão ou dificuldade em acordar
- convulsão
- rigidez do pescoço
- manchas na pele que não desaparecem à pressão
- dor forte, especialmente na cabeça, barriga, peito ou ouvidos
- vómitos persistentes ou recusa total de líquidos
- sinais de desidratação, como boca seca, choro sem lágrimas e pouca urina
- choro inconsolável ou irritabilidade extrema
- pior estado geral apesar da febre baixar
Em bebés muito pequenos, a febre merece mais atenção. Nos primeiros 3 meses de vida, temperatura igual ou superior a 38 °C deve ser avaliada por um profissional de saúde no próprio dia.
Quando deve contactar o SNS 24 ou o médico
Em Portugal, pode contactar o SNS 24 para orientação se tiver dúvidas sobre a gravidade dos sintomas. Deve procurar aconselhamento médico se:
- a febre durar mais de 3 dias
- voltar depois de ter melhorado
- a criança tiver dor ao urinar
- houver tosse persistente, dor de ouvidos ou dor de garganta forte
- a criança tiver menos de 6 meses e estiver com febre
- existirem doenças crónicas, imunidade baixa ou antecedentes relevantes
Mesmo quando a causa parece viral, a febre prolongada ou repetida pode precisar de avaliação para excluir outros problemas.
Febre e convulsão febril
Algumas crianças pequenas podem ter convulsões associadas à febre. Assustam muito, mas muitas vezes não deixam sequelas. Ainda assim, precisam de avaliação médica, sobretudo se for a primeira vez.
Se acontecer uma convulsão, deite a criança de lado, afaste objetos à volta, não lhe coloque nada na boca e observe a duração. Se durar mais de 5 minutos, chame ajuda urgente.
O que a febre não significa necessariamente
A febre não significa automaticamente infeção grave. Também não significa que a temperatura deva ser sempre normalizada rapidamente. O que conta é o conjunto: temperatura, comportamento, respiração, hidratação, dor e idade.
Também é importante evitar mitos comuns, como o de que febre alta causa sempre lesões cerebrais. Em regra, a febre por infeção não causa esse tipo de dano. O foco deve estar em reconhecer sinais de alarme e manter a criança segura e confortável.
Como acompanhar a criança ao longo do dia
Observe a evolução a cada poucas horas. Pergunte-se:
- está a beber?
- está a urinar?
- está mais desperta ou mais abatida?
- respira bem?
- tem novas queixas?
Se a febre baixar com o medicamento mas a criança continuar muito maldisposta, isso também merece atenção. O termómetro é apenas uma parte da avaliação.
Quando a febre pode ser esperada após vacinas
Algumas vacinas podem causar febre ligeira ou moderada nas horas ou dias seguintes. Isso pode ser esperado, mas deve ser vigiado, sobretudo se a criança estiver muito abatida, se a febre for alta ou se surgirem outros sintomas preocupantes.
Se tiver dúvidas sobre o que é normal após uma vacina específica, confirme com o centro de saúde, pediatra ou linha de saúde.
Como lidar com a ansiedade dos pais
É normal sentir preocupação quando a criança tem febre, especialmente à noite ou quando parece mais molinha. Tente manter a calma e focar-se em três perguntas: respira bem, bebe líquidos e reage quando falamos com ela? Se a resposta for sim, muitas vezes é possível vigiar em casa com segurança.
Se a sua intuição lhe disser que a criança está diferente de forma preocupante, procure ajuda. Os pais conhecem bem o padrão habitual dos filhos e essa observação também conta.
Resumo prático
Pode vigiar em casa quando a criança está globalmente bem, bebe líquidos e não tem sinais de alarme. Deve pedir ajuda médica se for um bebé pequeno, se a febre durar vários dias, se houver dificuldade respiratória, prostração, desidratação, convulsão ou outros sintomas preocupantes. O mais importante não é apenas o valor da temperatura, mas o estado geral da criança.
Em caso de dúvida, vale sempre a pena pedir orientação profissional. É melhor esclarecer cedo do que esperar demasiado.