O que é a icterícia no bebé?

A icterícia é a cor amarelada da pele e do branco dos olhos que pode surgir nos primeiros dias de vida. Acontece por causa do aumento de uma substância chamada bilirrubina no sangue. A bilirrubina é produzida naturalmente quando o organismo desmonta glóbulos vermelhos antigos. Nos recém-nascidos, o fígado ainda está a amadurecer e pode demorar mais a eliminar essa substância.

Na maioria dos bebés, a icterícia é temporária e desaparece sozinha ou com tratamento simples. Ainda assim, deve ser acompanhada, porque em alguns casos os níveis de bilirrubina podem subir demasiado e exigir vigilância médica mais apertada.

Porque é tão comum nos recém-nascidos?

A icterícia é muito frequente nas primeiras semanas de vida. Isto acontece porque o bebé nasce com mais glóbulos vermelhos do que os adultos, e esses glóbulos vermelhos são renovados rapidamente depois do nascimento. Ao mesmo tempo, o fígado do bebé ainda não está completamente maduro.

Alguns bebés têm maior probabilidade de apresentar icterícia, como os que nasceram antes do termo, os que têm dificuldade na amamentação nos primeiros dias, os que têm mais hematomas ao nascer ou os que têm incompatibilidade de grupos sanguíneos com a mãe.

Quais são os sinais?

O sinal mais visível é a pele amarelada. Normalmente começa no rosto e pode descer para o tronco, braços e pernas à medida que os níveis de bilirrubina aumentam. O branco dos olhos também pode ficar amarelo.

Em muitos bebés, a cor amarela é mais fácil de ver com luz natural. Se pressionar suavemente a pele com o dedo, pode notar o tom amarelado quando a cor volta ao normal. No entanto, essa observação não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

Além da cor amarela, é importante estar atento a outros sinais, como sonolência excessiva, dificuldade em acordar para mamar, sucção fraca, choro agudo diferente do habitual ou bebé mais molinho do que o normal. Estes sinais pedem avaliação médica.

Quando a icterícia é fisiológica e quando preocupa?

Em muitos bebés, a chamada icterícia fisiológica surge depois das primeiras 24 horas de vida, atinge um pico nos dias 3 a 5 e melhora gradualmente. É um processo comum e esperado em muitos recém-nascidos saudáveis.

Há, porém, situações que merecem atenção especial. A icterícia que aparece nas primeiras 24 horas de vida nunca deve ser desvalorizada. Também preocupa quando a cor amarela aumenta rapidamente, quando dura mais tempo do que o esperado ou quando vem acompanhada de outros sintomas, como perda de peso importante, pouca urina, fezes muito claras ou bebé com aspeto doente.

Como é feito o acompanhamento?

Em Portugal, o acompanhamento é feito pelo pediatra, médico de família, enfermeiro de saúde infantil ou pela equipa que segue o bebé após o nascimento. Em alguns casos, pode ser necessário medir a bilirrubina com um aparelho na pele ou através de uma colheita de sangue.

O profissional de saúde avalia a idade do bebé em horas ou dias, a intensidade da cor amarela, a alimentação, o peso, a urina, as fezes e outros fatores de risco. A partir daí, decide se é suficiente vigiar, se é preciso repetir a avaliação ou se deve iniciar tratamento.

Qual é o tratamento?

O tratamento mais usado quando a bilirrubina está elevada é a fototerapia. O bebé é exposto a uma luz especial que ajuda o organismo a transformar a bilirrubina numa forma mais fácil de eliminar. Este tratamento é seguro e muito utilizado em hospitais e maternidades.

Além da fototerapia, é importante garantir uma alimentação adequada, especialmente nos primeiros dias. Uma boa ingestão de leite ajuda o bebé a eliminar a bilirrubina através das fezes e da urina. Se houver dificuldade na amamentação, pode ser necessário apoiar a pega, aumentar a frequência das mamadas ou avaliar se o bebé está a beber leite suficiente.

Em situações raras e mais graves, podem ser necessários tratamentos adicionais, sempre decididos por equipas médicas especializadas.

Amamentação e icterícia

É comum os pais ficarem preocupados quando o bebé tem icterícia e está a mamar pouco. Nos primeiros dias, a amamentação pode exigir adaptação, e alguns bebés com icterícia ficam mais sonolentos, o que dificulta ainda mais as mamadas.

Por isso, vale a pena observar a frequência das mamadas, a qualidade da sucção e os sinais de ingestão suficiente. O bebé deve urinar com regularidade e ter fezes adequadas para a idade. Se sentir que o bebé não acorda para mamar, mama muito pouco ou parece fraco, deve procurar apoio de um profissional de saúde.

Se está a amamentar e tem dúvidas sobre a pega, a produção de leite ou a frequência das mamadas, peça ajuda cedo. Quanto mais cedo houver apoio, mais fácil é prevenir complicações e manter a amamentação com segurança.

Quando deve procurar ajuda urgente?

Procure ajuda médica de imediato se o bebé tiver icterícia nas primeiras 24 horas de vida, se a pele estiver muito amarela ou a cor estiver a espalhar-se rapidamente, se o bebé estiver muito sonolento, difícil de acordar, com choro agudo, febre, dificuldade em respirar, rigidez, movimentos estranhos ou recusa persistente da alimentação.

Também deve ser observado rapidamente se o bebé tiver fezes muito claras ou brancas, urina muito escura, sinais de desidratação ou perda de peso acentuada. Em caso de dúvida, é sempre melhor ligar para a linha de saúde disponível ou contactar a unidade de saúde que acompanha o bebé.

A icterícia pode deixar sequelas?

Na maioria dos casos, não. Quando é detetada e acompanhada a tempo, a icterícia resolve-se sem consequências. O risco de complicações aumenta quando a bilirrubina atinge valores muito altos e não é tratada. Por isso, o essencial é vigiar os sinais, cumprir as consultas e seguir as orientações clínicas.

O acompanhamento atento nos primeiros dias é uma forma simples de proteger a saúde do bebé. Mesmo quando a icterícia é comum e esperada, a observação pelos pais e pela equipa de saúde faz toda a diferença.

O que podem fazer os pais em casa?

Os pais podem observar a cor da pele e dos olhos, garantir que o bebé mama com frequência, registar fraldas molhadas e fezes, e cumprir as consultas de seguimento. Se o bebé recebeu alta com icterícia ligeira, é importante seguir as indicações dadas na maternidade ou pelo pediatra.

Evite tentar resolver o problema com conselhos informais ou atrasar a avaliação por pensar que é “normal” em todos os casos. A icterícia é frequente, mas nem sempre é igual. O mais seguro é acompanhar de perto e esclarecer qualquer dúvida com a equipa de saúde.

Resumo final

A icterícia no bebé é muito comum e, na maioria das vezes, passageira. Ainda assim, deve ser levada a sério, sobretudo quando surge cedo, se agrava rapidamente ou vem acompanhada de sinais como sonolência excessiva, dificuldade em mamar ou alterações na urina e nas fezes. Com vigilância, boa alimentação e acompanhamento clínico, a maioria dos bebés recupera bem.

Se tiver dúvidas, não espere. Fale com o pediatra, médico de família ou unidade de saúde que acompanha o seu bebé. A orientação cedo é sempre a melhor proteção.